IRONMAN
 
Saúde é o que (me) interessa
 

A CARREIRA SURPREENDENTE DO TRIATLETA RUNO KHOURI COMEÇOU QUASE POR ACASO. HOJE, O CAMPEÃO PLANEJA CADA VITÓRIA E ORIENTA AQUELES QUE QUEREM MAIS QUALIDADE DE VIDA

 

TEXTO POR PALOMA DENARO




APRESENTADO AO TRIATLO aos 16 anos, o mineiro Bruno Khouri, 31, encarou o esporte como hobby durante um ano. Até que foi convocado para a seleção brasileira e teve que levar a prática de forma séria e competitiva. Campeão mundial de triatlo olímpico em 1999, o atleta – que também é treinador – dá dicas de como viver melhor física e mentalmente.

 

 

Você foi campeão brasileiro, pan-americano e mundial, tudo em um ano (1999). Como administrou isso na época, com apenas 22 anos?

 

Meu foco mudou muito, pois passei a competir com os melhores profissionais do mundo e assim as cobranças cresceram demais. Mas minha atitude mudou pouco. Eu simplesmente continuei a treinar o máximo que meu corpo suportava.

 

 

Qual foi o impacto de ser campeão mundial?


Isso mudou o resto da minha vida, como atleta e como pessoa. A sensação foi incrível. Sabe quando tudo parece ser perfeito e aí você descobre que realmente é? Tive a impressão de que o tempo parou e de que o universo estava ao meu lado atendendo todos os meus pedidos.

 

 

E depois, como lidar com o fato de não ser mais o número um?


Se você não muda o foco, acaba ficando deprimido mesmo. No meu caso eu comecei a focar seriamente no treinamento de outros atletas e na promoção de eventos esportivos. Assim, continuo ligado aos esportes que eu tanto amo e, ainda por cima, posso usar toda a minha experiência na nova carreira profissional. O importante é que não estou deixando de aplicar em mim mesmo os conceitos da vida saudável e tenho treinado entre sete e 14 horas por semana. É muito menos que já treinei, mas o prazer da atividade física é imenso e os benefícios à saúde são sensacionais.

 

 

Qual deve ser a disciplina de alguém que almeja ser campeão em alguma área da vida?


Quem realmente sabe o que quer e deseja isso com muita força, não se deixa abalar por obstáculos e sai passando por cima deles todos. Só a meta final importa. O resto fica pequeno demais.

 

 

É possível levar uma vida social normal com o volume de treino de um atleta?


Não existe a menor condição. Tudo tem de ser feito certinho, senão o preço a pagar é a imediata perda de desempenho. Para cada escolha, uma renúncia. Atletas abrem mão de coisas tidas como “normais” em prol de um objetivo maior. Alguns são proibidos até de namorar.

 

 

Como é o preparo para uma grande competição?


Resultados são frutos de trabalhos de longo prazo. Não existe “estudar na véspera”, tudo tem que ser planejado com antecedência e executado com muita precisão. Em determinados momentos da minha carreira cheguei a nadar 30 km, pedalar 300 km e correr 90 km por semana. Nesse período comia mais de 5 mil calorias por dia e tinha menos de 5% de gordura.

 

 

O que é, para você, uma boa alimentação?


É a que me deixa saudável e me dá energia suficiente pra fazer tudo que eu quero. Não podemos pensar que ter prazer é só comer picanha e chocolate. Tenho duas frases preferidas: “Tudo na vida é treino” e “O ser humano se acostuma com tudo”. Não comer porcarias, por exemplo.

 

Bruno Khouri transformou sua atividade física em meio de vida

 

Extras
- O triatlo mais pesado ainda é o Iron Man: 3,8 km de natação,  180 km de bike e 42 km de corrida – quatro vezes maior que o olímpico



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