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SUPLIMENTOS ALIMENTARES
Precisa?

Quem malha e não os toma acaba se sentindo um ET na academia. Mas será que você tem de embarcar mesmo nessa onda?


| TEXTO SHÂMIA SALEM E SIMONE OTA |

 

 

A RESPOSTA É: NÃO. Você não precisa aderir só porque boa parte dos caras da academia usa e faz a maior propaganda. Aliás, os especialistas garantem que é um risco entrar nessa por modismo. “Quem consome sem indicação específica, em um ritmo de atividade física que não justifica o uso desse recurso, pode ter efeitos indesejados, como o aumento de peso”, afirma o fisiatra Paulo Correia, coordenador do laboratório de fisiologia do exercício na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Antes de mais nada, é preciso entender que existem três formas de suprir as necessidades de quem malha. A primeira é, claro, a alimentação balanceada – a receita de um prato perfeito inclui de 55% a 60% de carboidratos, entre 15% e 25% de proteínas e de 25% a 30% de gorduras, mais vitaminas e minerais. Em segundo lugar está o complemento, que pode vir em forma de comida ou isotônico, com os nutrientes mais requisitados pela atividade física. “Um treino aeróbico, como o de corrida ou ciclismo, exige muita energia. Daí o conselho de consumir mais carboidrato. Já quem pratica esportes ao ar livre, como vôlei de praia ou futebol, precisa repor os sais minerais perdidos na transpiração e que são encontrados, por exemplo, nas verduras cruas e frutas”, explica Paulo. Em terceiro lugar aparecem os suplementos, que trazem os mesmos nutrientes encontrados nos alimentos, só que numa quantidade muito maior e bem mais concentrada. Eles foram desenvolvidos para atletas de alto rendimento, que treinam de manhã, de tarde e de noite e necessitam de uma carga muito grande de nutrientes. Para ser suprida, o esportista teria que comer uma quantidade enorme de comida. E, com barriga cheia, ninguém se exercita – só quer dormir.


Muita calma nessa hora Mas e o cidadão comum, que puxa ferro em academia, pode fazer o mesmo que um atleta de elite? “De jeito nenhum! Seja qual for o seu perfil, o suplemento só deve ser usado com a indicação e supervisão médica ou de um nutricionista”, afirma o médico do esporte Ricardo Munir Nahas, diretor-clínico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), em São Paulo. Para traçar um diagnóstico mais adequado, além de avaliar o plano de treino, seu objetivo, percentual de massa magra e massa gorda e dieta, o especialista costuma pedir exames de sangue – eles identificam as principais deficiências nutricionais no organismo. Do arsenal disponível, a nutricionista especializada em nutrição esportiva Cynthia Antonaccio, da Equillibrium Consultoria em Nutrição, de São Paulo, cita as quatro categorias de suplementos que podem entrar em cena:


Vitaminas e minerais: são complementares à dieta e muito importantes porque atuam em várias frentes, entre elas a proteção imunológica (vitamina C e zinco), aumento da disposição (vitamina B), fortalecimento da massa óssea (cálcio, fósforo e magnésio). Elas garantem uma aparência mais jovem e saudável, já que podem ser antioxidantes, como as vitaminas C e E e o selênio.
Protéicos: auxiliam na formação de massa magra.
Carboidratos: podem ser ingeridos antes ou depois da atividade física para garantir uma dose extra de energia.
Hipercalóricos: são destinados a quem quer ganhar peso. Como deu para perceber, não adianta tomar suplemento se você não mexe um músculo. Os efeitos só aparecem quando o produto é associado à prática esportiva. “Quem quer ficar forte tem que treinar, porque é o exercício que desgasta e reconstrói o músculo para que ele cresça e apareça. O suplemento apenas otimiza esse processo, fazendo com que você tenha resultados melhores e em menos tempo”, esclarece Cynthia.



Verdade ou Mentira


NO VESTIÁRIO TEM MUITA HISTÓRIA SOBRE SUPLEMENTO. VEJA O QUE É FATO E BOATO:


Ajudam a perder barriga. Mito. Segundo a nutricionista Cynthia Antonaccio, não há milagres. Nada faz perder a barriga, a não ser controlar a ingestão de calorias e caprichar na malhação.


Podem atacar os rins e o fígado. Verdade, desde que haja abuso no consumo. “Nesse caso, os órgãos terão que trabalhar mais para processar essas substâncias e eliminar o que não foi aproveitado pelo organismo”, diz o médico do esporte Ricardo Munir Nahas.


Mexem com a libido e causam impotência. Depende. A afirmação é verdadeira apenas para os produtos que contêm anabolizantes na formulação. Vale lembrar que eles são proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas alguns importados podem trazer a substância camuflada sob outros nomes, como DHEA.


Os músculos murcham rapidinho quando você pára de tomar suplementos. Mito. De acordo com Nahas, isso só vai acontecer se você parar com a rotina de treino.


Existe suplemento específico para homem. sMito. O que muda é apenas a quantidade, já que elas geralmente não pegam tão pesado no treino quanto nós.


Os mais usados

OS SUPLEMENTOS E PARA QUE, AFINAL, ELES SERVEM:


Albumina: aumenta a massa muscular. Porém, pode dar gases e desconforto gastrointestinal.


BCAA (Aminoácidos de Cadeira Ramificada): mix de aminoácidos que retarda a fadiga, ajudando a pessoa a manter um bom desempenho na malhação por um período prolongado.


Carboidrato em gel: também confere energia. A vantagem é que você não precisa interromper o treino para consumir.


L-arginina: favorece a recuperação pós-exercício e o aumento da massa magra pela melhora no fluxo sanguíneo.


Maltodextrina: extraído do milho, garante pique para atividades com mais de uma hora de duração.


Massa anticatabólica: com alto valor calórico, associa carboidrato e proteína e é indicada para quem quer ganhar músculo e peso.


Whey Protein (Proteína do Soro do Leite): ajuda a ganhar massa magra, mas é contra-indicado para quem tem alergia a laticínios – podendo causar inflamações.


Soy Protein: age da mesma forma que o Whey Protein, sendo uma boa pedida para vegetarianos.



“MUITA GENTE QUE FREQÜENTA ACADEMIA USA SUPLEMENTOS SEM PRESCRIÇÃO. DAÍ ACABA ENGORDANDO E TEM A FALSA IMPRESSÃO DE QUE ESTÁ FORTE. A MATEMÁTICA É CLARA: SE O PRODUTO PODE DAR UM APORTE DE ATÉ 3 MIL CALORIAS DIÁRIAS E UMA SESSÃO DE MUSCULAÇÃO, POR EXEMPLO, NÃO GASTA MAIS DO QUE 400 CALORIAS, ADIVINHA PARA ONDE VAI O EXCEDENTE?”


PAULO CORREIA, FISIATRA E COORDENADOR DO LABORATÓRIO DE FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO.

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