FINANÇAS PESSOAIS
 
Ele faz seus investimentos subirem
 
Não é todo mundo que tem conhecimento e segurança sobre onde e quanto aplicar. Para resolver essa questão, existem no mercado consultores de investimento que fazem pelo seu dinheiro o que seu personal trainer faz por seu corpo
TEXTO: CAMILLA CREMÁCIO


Até que enfim você conseguiu: reunir um capital exclusivamente para investir. E agora, o que fazer? Fundo de renda fixa ou variada? Fixa pré ou pós-fixada? Plano de Previdência Privada? VGBL ou PGBL? Ações? Quais? Quantas? Por quanto tempo mantê-las? São tantas perguntas que, muitas vezes, a resposta só pode vir de um especialista. Para isso, existem dois tipos de profissionais. Um é o consultor de investimento, que ajuda o cliente a decidir qual operação de mercado é melhor para ele. E outro é o gestor, que investe o dinheiro do cliente em nome dele.

“Ao procurar essa prestação de serviço, o investidor deve verificar se quem está contratando tem autorização da CVM (Comissão de Valores Monetários) para desempenhar qualquer uma dessas funções” alerta Rafael Paschoarelli (SP), especialista em finanças pessoais. Profissionais vinculados a instituições financeiras também não são recomendados, porque eles estão presos a determinados produtos que nem sempre são a melhor opção. Segundo Raphael Cordeiro (PR), analista e consultor de investimentos, esse trabalho é construído em várias etapas (confira abaixo o Inside). “Faço uma previsão do número de horas que vou trabalhar para atender determinado cliente e monto um cálculo a partir disso. O valor, por hora, pode variar de R$ 150 a R$ 500”, conta o consultor. Para Fernando José, microempresário de Eldorado (PR), a consultoria de investimento foi fundamental. “Eu já aplicava, mas fazia tudo aleatoriamente. Há três anos contratei um profissional que analisou meu perfil e fez um plano para mim. Valeu muito a pena, tanto que trabalhamos juntos até hoje. De seis em seis meses ele revê meu planejamento”, conta.

O paranaense recomenda que, antes de procurar esse tipo de consultoria, o interessado tenha consciência de sua condição financeira e se organize para fazer todos os aportes. Geralmente, o valor cobrado não tem nenhuma relação com o volume movimentado. O montante inicial necessário para que o gasto com o consultor valha a pena é por volta de R$ 20 mil. “O ideal é que o cliente procure consultoria para projetos de médio ou longo prazo. O maior retorno que ele tem, além de saber que está investindo no lugar certo, é a segurança que ele adquire durante o processo”, afirma Cordeiro. Para que a relação cliente/consultor dê certo, são necessários alguns cuidados básicos. Os dois devem ter desprendimento para ouvir e dar abertura ao outro, e para isso é preciso empatia. Também é necessário um fluxo livre de informações.

“O cliente deve questionar seu consultor. ‘Meu rendimento vai melhorar em quanto?’ ‘Por que a movimentação que faço hoje não é boa?’ ‘Por que você está me indicando isso?’ Para ter poder de argumentação nessa conversa, é preciso estar sempre atualizado, ler sobre o assunto, fazer cursos. Essa atualização não acaba nunca”, diz Paschoarelli.

SIMULAÇÃO PARA ENTENDER MELHOR COMO TUDO ISSO FUNCIONA, PEDIMOS PARA RAPHAEL CORDEIRO SIMULAR UM PLANO DE INVESTIMENTO. OS VALORES A SEGUIR SÃO FICTÍCIOS. NOSSO OBJETIVO É APENAS ENTENDER O PROCESSO DE CONSULTORIA

Perfil do investidor:
Homem, 35 anos, casado, engenheiro, dois filhos (2 e 4 anos)

Perfil do dinheiro:
Renda mensal: R$ 8 mil
Renda da esposa: R$ 3,5 mil
Total (descontados impostos): R$ 10 mil
Gastos fixos mensais: R$ 8 mil
Saldo para investimento: R$ 2 mil (que serão distribuídos em investimentos indicados pelo gestor) Aplica há cinco anos em um fundo de renda fixa.
Acumulou R$ 120 mil. Tem R$ 50 mil em ações da Petrobras no FGTS.

Metas e prazos:
Objetivo 1: Fundo de reserva.
Prazo: Indefinido.
Palavra do consultor: O ideal é ter cinco vezes o gasto fixo mensal em um fundo cujo resgate seja fácil e rápido, para eventuais emergências, como uma demissão. Nesse caso, R$ 40 mil ficam em renda fixa.

Objetivo 2: Aposentadoria.
Prazo: 20 anos.
Palavra do consultor: R$ 80 mil restantes no fundo de renda fixa.
Esse dinheiro pode ser dividido assim:

R$ 50 mil Se a taxa de administração do fundo atual for de até 1%, vale deixar tudo em CDB. Ou utilizar uma aplicação um pouco mais dinâmica – um multimercado não muito agressivo.

R$ 30 mil Aplicar no mercado de ações, com o cuidado de não incluir as da Petrobras na carteira (lembrando que já existem R$ 50 mil investidos nessa empresa). Isso pode ser feito por meio de um fundo ou diretamente, via homebroker, por exemplo. Nesse caso, o investidor deve procurar uma corretora que forneça análises de mercado.
Comunidade - Nossas indicações na web Para novos investidores
Não conhece o vocabulário e os princípios básicos do mercado financeiro? Este site explica tudo em detalhes e se mantém atualizado, com muitas notícias e novas dicas.
www.comoinvestir.com.br

Para a próxima geração
Mais direcionado para jovens, é uma boa sugestão para você apresentar ao seu filho e lhe dar uma boa educação financeira – se você estiver sendo um bom exemplo disso, é claro.
www.mesada.com.br

Hipertexto - informação adicional
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço aplicado em ações da Petrobras
Em 2000, o governo autorizou a aplicação de parte do fundo de garantia em ações da Petrobras. Em 2002 foi a vez da então Vale do Rio Doce. As duas empresas vêm apresentando queda das ações nos sete primeiros meses de 2008, mas não há especialista que recomende o resgate do seu dinheiro, que voltaria para a conta de FGTS. Por quê? Porque o fundo mútuo de privatização da Petrobras, administrado pela Caixa Econômica Federal, rendeu mais de 1.100% em oito anos. No mesmo período, a correção do FGTS ficou em 52%. No caso do fundo da Vale, a rentabilidade foi de quase 900% em seis anos, enquanto a do FGTS ficou em apenas 40,35%.

Fórum - Opiniões divergentes Vale a pena?
“Sim, porque o consultor auxilia muito. Nesse caso, podemos fazer uma comparação entre investir e cuidar da saúde. Você não deveria tomar remédio sem consultar a opinião de um especialista, mas se faz, corre um risco maior. A pessoa deve se informar e entender o mercado, porque isso ajuda a formar argumentos. Porém vivemos, hoje, em um ritmo muito maluco e a cada dia sobra menos tempo para acompanhar a economia global e fazer as escolhas acertadas. Aí entram os conselhos do especialista.”
Cláudio Carvajal (SP), sócio-diretor da CPD Consult

“Acredito fielmente que cada um pode ser investidor sem ajuda de um profi ssional, desde que faça ‘seu dever de casa’, isto é, que busque todas as informações a respeito do investimento, faça cursos, participe de palestras e se especialize no assunto, de forma a minimizar as perdas. Se não estiver disposto a “perder” esse tempo, o mais barato no longo prazo é buscar auxílio profissional de um consultor financeiro, pois existe a incidência de impostos e taxas diversas, além dos riscos. Um profissional pode colaborar na montagem de sua carteira a fi m de minimizar as perdas, os custos nas taxas e impostos, entre outras particularidades.”
Cristiano Brasil (SC), membro da APIMEC - Associação dos Analistas e Profi ssionais de Investimento do Mercado de Capitais

“Teoricamente o mais seguro é ter o especialista para suportar as decisões, porque as pessoas lidam com dinheiro de uma forma muito emocional. No entanto, não é bom depender do consultor. Com um certo desenvolvimento pessoal em relação ao mercado financeiro, depois de um tempo de consultoria, o investidor poderá caminhar com as próprias pernas. A questão é: ele vai querer andar sozinho? Porque, depois do acompanhamento, os ganhos são muito maiores do que o custo, que passa a ser irrisório.”
Ricardo Melo (MG), consultor de investimentos

O que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem a dizer?

EM SEU GUIA DE ORIENTAÇÃO E DEFESA DO INVESTIDOR, A CVM DÁ AS SEGUINTES DICAS PARA QUEM PROCURA AJUDA PARA INVESTIR:

1. Você deve sempre fazer perguntas sobre os investimentos que pretende realizar, sem se preocupar se são bobas ou não. Eis algumas questões que você não pode deixar de lado ao selecionar uma assessoria profissional de investimento:

• Que treinamento e experiência você tem?
• Há quanto tempo trabalha na área?
• Assume muitos riscos ou se preocupa mais com a segurança do meu dinheiro?
• Por qual método é pago?
• Descreva o seu cliente típico. Pode me fornecer como referência nomes de pessoas que investem com você há muito tempo?
• Quais os impostos e taxas que terei que pagar?
• Qual o meu custo total para negociar com você?
• Quais as garantias que tenho ao investir no mercado?

2. Todo profissional de assessoria de investimento deve estar registrado na CVM. Para checar, você pode recorrer ao site da instituição (www.cvm.gov.br). Lá também pode ser consultado e solicitado o Guia de Orientação e Defesa do Investidor.

O MAIOR RETORNO QUE O CLIENTE OBTÉM DE UM CONSULTOR É A CERTEZA DE ESTAR INVESTINDO NO LUGAR CERTO. ALÉM DISSO, VOCÊ ADQUIRE SEGURANÇA PARA APLICAR POR CONTA PRÓPRIA MAIS TARDE



 
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