SEXO
 
Ela só quer, só pensa em... SEXO!
 
A vida sexual de uma mulher é cheia de fases. Descobri-las (e entendê-las) pode significar muitos pontos a seu favor
TEXTO: VERIDIANA MERCATELLI
ILUSTRAÇÃO: SAMUEL CASAL


AOS 20 ANOS, os hormônios dela estão gritando. O sexo apressado, muitas vezes desejado, já a faz feliz, principalmente porque rende histórias divertidas e picantes para contar às amigas. Dez anos depois, a pressa e a quantidade dão lugar à qualidade. Ela aprende a dizer mais “sim”. E mais “não” também. Uma década para frente vem a segurança e a intensidade, aliadas de uma boa relação. Aos 50, contrariando o senso comum que diz que a menopausa acaba com a libido, vem a liberdade plena. É, meu amigo. A vida sexual de uma mulher é mais ou menos como um vinho. Os anos vão passando e ela só fica mais refinada. Basta o bom apreciador entender como tudo funciona. Pode ser triste pra você, mas não há manual de instrução. A boa notícia é que acompanhar a evolução do desejo feminino não é tão complicado quanto lidar com os problemas do seu Windows Vista. Muito pelo contrário! Requer somente mais atenção e carinho – e menos reclamação no SAC. Quer entender um tiquinho mais desse maravilhoso mundo de hormônios, lingeries, vontades e “foi-bom-pra-você” com o passar dos anos?

Doce balanço a caminho do mar
Ah, os 20 e poucos anos... A vida está só começando e a hora é de experimentar. Em todos os campos, diga-se de passagem. Nessa fase, muitas ainda estão estudando, batalhando pela profissão dos sonhos. Mas apesar dos hormônios estarem trabalhando a todo vapor, deixando a pele, o cabelo e as curvas uma verdadeira maravilha, a sexualidade não é a sua maior preocupação. “Mulheres nesta idade, em geral, não percebem que com as carícias o sexo rola melhor. Muitas, embora nunca tenham tido um orgasmo, não sofrem por isso. Afinal, o desejo sexual não diminuiu”, conta Jaqueline Brendler, terapeuta sexual gaúcha do Comitê Consultivo e Científico da Associação Mundial de Saúde Sexual (WAS) e membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). Por isso, aquelas famosas “rapidinhas” na garagem, carregadas de adrenalina e pouco jeito, talvez lhe pareçam tão atrativas. Nesta época ocorre o império da quantidade em detrimento da qualidade – nada comparável ao universo masculino, claro.

As expectativas de uma menina de 20 anos, segundo Jaqueline Brendler, são duas. Primeira: testar-se no mercado da atração. Ou seja, ela quer perceber que os homens a paqueram e não ficam indiferentes ao seu jogo de sedução. Segunda: achar o cara certo. Sim, colega, você pode ser um cara certo desde que esteja bem disposto e se interesse pelas suas idéias. Para Sandra Vasques, psicóloga e sexóloga do Instituto Kaplan, apesar da cultura atual oferecer a proposta de que essa mulher pode ser mais liberada e transar sem envolvimento emocional, ela ainda quer se casar e ser reconhecida não só pelo seu corpo, como também pelo que é, perdoe o trocadilho, por dentro. “É importante que os homens não julguem uma mulher se ela tiver relação no primeiro encontro, pois elas também podem estar interessadas em um relacionamento sério”, diz Sandra Vasques.

Outra característica comum da idade, segundo Jaqueline Brendler, é que elas rapidamente desistem do uso da camisinha por pressão do parceiro. Infelizmente...


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De repente, 30
Muitas mulheres tremem ao se aproximar dos 29 anos. Mas antes mesmo de chegar aos 29 e meio é possível perceber que uma fase bem diferente (e boa) está chegando. Assim como a vida profissional está em projeção, a afetivo-sexual acompanha o movimento. “O corpo continua em dia, como as meninas de 20, mas ela está mais madura, sabe lidar bem com sua sexualidade”, conta Sandra Vasques. São menos dependentes dos parceiros e mais livres para decidir o que, quem, quando e onde querem. Com tudo isso, não é à toa que os caras se assustam. “Elas esperam que eles compartilhem este momento com mais ousadia, mas que também respeitem seus limites”, completa Sandra. Pensa que é só isso? “As que não encontraram ‘o homem certo’ começam a não achar tão divertido o ‘homem errado’, apesar de terem a sua auto-estima elevada ao ficarem com ele”, analisa Jaqueline Brendler. Ou seja, o antigo mantra “quanto mais, melhor”, é página virada. Elas querem é qualidade e, se tiverem qualquer problema neste ramo, não hesitam em procurar um terapeuta sexual para resolver os grilos. Orgasmo, inclusive, já é uma palavra bem-vinda em seu dicionário! Afinal, é nessa fase que a mulher percebe que faz parte de uma sexualidade saudável ter orgasmo e prazer junto com o parceiro. Sexo ótimo é sinônimo de atenção e carinho também. Antes, durante e depois. E um pouco depois ainda, que não custa nada e faz bem pra pele. Mas não generalize! A “deusa do sexo” também pode estar louca para ser mãe. Esta é uma época em que o instinto maternal fala alto! A carreira está um pouco mais estabilizada e o desejo de ter filhos ainda nesta década é grande para as que não os tiveram. Até porque a fertilidade começa a diminuir.


“Antes, para mim, sexo não era importante num relacionamento. Vinham mil coisas primeiro, como ele ser atencioso, companheiro. Lógico que eu tinha vontade de transar aos 20 anos, mas era só um complemento. Se não fosse tão bom, mas ele tivesse outras qualidades, estava tudo bem. Hoje é bem diferente. Não namoro se não valer a pena na cama. Consigo me impor mais, dizer o que quero ou não. Também me importo muito mais com orgasmo do que há alguns anos. Rapidinha escondida? Fico com preguiça. Prefiro um pouco mais de conforto. O melhor de estar com 30 anos é que tenho menos vergonha de colocar as fantasias em prática.” Cinthia Pergola, 31 anos, produtora de moda



“Já passei por fases diferentes. Prefiro namorar, mas tive uma época de conhecer vários caras. Hoje estou praticamente casada e espero dele reciprocidade e preocupação comigo, sempre. Eu procuro fazer tudo bem, dar prazer a ele do mesmo jeito que ele faz comigo. Essa é sempre uma encanação. Quanto ao orgasmo, eu acho muito importante, sim! Antigamente não achava, mas agora eu sei que, pra rolar legal, tem que ter. Conheço muitas garotas que não acham a coisa mais importante do sexo, mas penso que abrir mão dele é uma forma de submissão.” Veridiana Menin, 22 anos, vendedora



Idade da loba?
“As mulheres de 40 anos são donas do seu presente e lutam pelo seu futuro. Elas já atingiram o apogeu na maioria das áreas da vida. Possuem mais estabilidade profissional do que tinham aos 20 e 30 anos e continuam se esforçando em se atualizar”, conta Jaqueline. A maternidade, a essa altura, já é algo bem- resolvido. Ótimo para elas mesmas, que se envolvem e se entregam a jogos eróticos. Vivem sua sexualidade com muito mais intensidade e esperam o mesmo do parceiro. “Em outras palavras, são melhores profissionais, mães e amantes do que 20 anos atrás”. Mas, como toda mulher, independente da idade, continuam querendo alguém que as respeite, ame e admire em todos os aspectos de sua vida. As disponíveis (separadas/divorciadas ou solteiras) querem um homem que venha somar, e não diminuir. Estão dispostas a usar os recursos financeiros para melhorar a saúde, a aparência física e o relacionamento a dois, ou seja, se houver algum empecilho afetivo ou sexual, não pensam duas vezes antes de pagar uma psicoterapia sexual ou conjugal. Mas Sandra Vasques lembra: o corpo já não é o mesmo. No entanto, os tratamentos estéticos estão aí, a seu favor. “Muitas entram na menopausa após os 45 anos, mas o desejo continua existindo”, diz Sandra. Falta de fertilidade não significa falta de libido. Muito pelo contrário. Várias se relacionam com homens mais jovens, já que há uma maior possibilidade de realizar fantasias sexuais e, ainda, com o uso da camisinha. “Mesmo assim, há homens de 40 e 50 anos que não aceitam usar o preservativo”, conta Jaqueline.


Muita experiência
É exatamente isso o que as mulheres acima de 50 anos têm. O corpo, definitivamente, é outro, mas quando bem-resolvida, ela tem a sensualidade e a segurança de sobra. E a libido vive muito bem, obrigada, apesar de estar em queda por conta dos hormônios em baixa. “Quanto mais fizer sexo, mais os seus genitais estarão adequados para exercer a função sexual”, explica Sandra Vasques. Aí está um bom argumento! Mas se a vida sexual não for tão ativa assim e os problemas aparecerem, como a secura vaginal causada pela queda do estrogênio (hormônio feminino), é sempre possível recorrer ao ginecologista, que indicará os melhores tratamentos. Muitas vezes, um simples gel lubrificante resolve. Nesta fase, a mulher pode exercer sua sexualidade de maneira mais livre, sem muitas preocupações, como maternidade ou profissão. E ainda que tenha o mesmo parceiro há muitos anos, se permite ousar e realizar fantasias. Até porque ele também amadureceu com ela. “Muitas percebem que o ócio é mais amigo da sexualidade que a aceleração, então fazem as coisas com calma e reservam um tempo maior para o casal, para viajar”, avalia Jaqueline. Se estiverem disponíveis, serão influenciadas pelo seu histórico de vida conjugal, seja bom ou ruim, quando pensarem em namorar novamente. Torça para encontrar uma que tenha tido mais finais felizes...


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“Tive uma pequena crise quando vi que meu corpo estava mudando. Tanto é que, depois da separação, demorei muito para transar com outro homem. Só de pensar em tirar a roupa na frente dele já era uma tortura pra mim. Mas depois que rolou, eu me soltei completamente. Passei a me cuidar melhor e me sentir mais bonita. Sei que não tenho o corpinho de 18 anos, mas tenho muito mais a oferecer do que isso. Meu namorado tem dez anos a menos do que eu e transamos com bastante freqüência, bem mais do que com o meu ex-marido. Hoje posso dizer que sou completa e realizada na cama. Aos 20, eu nem sabia o que era isso...” Lucia M. Rodriguez, 49 anos, advogada




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