SABORES DO VINHO
 
Saquê vai bem?
 
SE VOCÊ PENSA QUE SASHIMI E CIA SÓ FICAM BEM COM ESSA BEBIDA, ESTÁ PERDENDO ÓTIMAS OPORTUNIDADES. APRENDA A VALORIZAR O SABOR DA RICA COZINHA ORIENTAL ESCOLHENDO O MELHOR VINHO PARA ACOMPANHÁ-LA
POR ARTHUR AZEVEDO


O BRASILEIRO se rendeu às maravilhas da comida japonesa. Em muitas cidades do Brasil há grande disponibilidade de lugares especializados nessa culinária. Há desde os inevitáveis fast-foods até restaurantes sofisticados, que exploram as nuances e sutilezas de uma das mais refinadas e interessantes culturas gastronômicas. E qual seria a bebida ideal para acompanhar esses pratos, fugindo do (quase) inevitável saquê? Como o vinho está na ordem do dia, por que não analisar suas possibilidades de combinação com a comida oriental? Na cozinha nipônica o destaque é dado às técnicas de preparação (fritar, cozinhar e grelhar) em detrimento dos ingredientes, que podem ser muito variados. No Japão o arroz é a base da alimentação, complementado com peixes e outros produtos do mar, carnes e aves. Além disso, consome-se sushis e sashimis, onde o elemento cru é parte importante ou mesmo principal. Portanto, a harmonização de vinhos à mesa japonesa deve respeitar essas particularidades, para se obter o melhor proveito (e prazer) possível.

O principal prato com base em fritura é o tempurá, feito com pedaços de vegetais, frutos do mar ou carne. As versões de carne pedem tintos leves e de boa acidez, como os Beaujolais (especialmente os Beaujolais-Village, com não mais de dois anos de vida), ou ainda os Pinot Noir da Borgonha e do Novo Mundo (desde que não sejam muito extraídos e encorpados). Na Espanha, um vinho simples de La Mancha, produzido com a uva Tempranillo, pode ser uma opção interessante, e na França, lembre-se dos tintos do Vale do Loire, fabricados a partir da uva Cabernet Franc. Já tempurás de vegetais e frutos do mar devem ser harmonizados com vinhos brancos, de boa acidez, corpo leve e de preferência sem madeira, como os excelentes Riesling do Mosel. Também podemos pensar nos Sauvignon Blanc do Chile e Nova Zelândia; nos portugueses baseados nas uvas Arinto e Fernão Pires, ou ainda os ótimos espanhóis produzidos com as uvas Albariño e Verdejo.

Grelhados, como o teriyaki (de carne, frango, peixe ou vegetais), são geralmente escoltados por molho de soja (que pode ser doce). Por essas razões, eles devem ser acompanhados por vinhos tintos e brancos de corpo leve ou médio, dependendo do ingrediente usado, mas sempre com boa acidez. Aqui cabe um Malbec argentino mais simples para carnes e frango e um Chardonnay chileno sem madeira para os peixes e vegetais. Por fim, os sushis e sashimis. Sua textura muito delicada, aliada à presença do wasabi (tanto o original como os produtos industrializados que o imitam) e do shoyu, pede vinhos espumantes leves ou brancos de boa acidez, secos ou com levíssima doçura. Aqui brilham os Riesling alemães e os Sauvignon Blanc do Novo Mundo, leves e frutados. Entre os espumantes, prefira os mais jovens e sutis, se possível aqueles baseados na uva Chardonnay. Outra forte recomendação: as Cavas espanholas clássicas, produzidas com as uvas Macabeo, Parellada e Xarel-lo, ou ainda os do norte da Itália. Enfim, boas opções não faltam. O melhor dessa diversão vem agora: busque todas essas possibilidades e experimente uma por uma.

Deixe o saquê como segunda opção. Mesmo frituras como o tempurá encontram nos vinhos a companhia adequada

Conexão - números que interessam 65 calorias
É a quantidade total que um sushi de salmão contém. Parece pouco, mas lembre que ninguém come uma porção só. E o vinho não é exatamente uma bebida light, a não ser que você beba apenas uma taça. A nutricionista Gláucia Duarte sugere que se dê preferência ao sashimi, que tem apenas 35. Para mais dicas de uma refeição saudável sem “ganhos” para sua barriga, visite a seção “Dicas” do site www.glauciaduarte.com.br



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